Se você tem restaurante, os últimos meses do noticiário parecem novela: de um lado, plataformas de delivery disputando mercado a peso de contrato de exclusividade; do outro, o CADE — órgão que defende a concorrência — arquivando investigação, sofrendo críticas públicas e reabrindo a análise dias depois. No fim de junho, a Abrasel soltou nota oficial classificando as práticas de exclusividade como prejudiciais à concorrência e cobrando uma posição firme do órgão.
O que está acontecendo na guerra do delivery
O pano de fundo é simples: o delivery brasileiro sempre foi um mercado extremamente concentrado. Com a chegada de novos concorrentes de peso, começou uma corrida por restaurantes “exclusivos” — e é justamente essa prática que está na mesa do CADE. Em 25 de junho, a Superintendência-Geral arquivou a investigação sobre os contratos de exclusividade; a Abrasel reagiu em nota pública, apontando que a decisão ignorou estudos de mercado e as dificuldades históricas de concorrência no setor. No dia 1º de julho, o órgão suspendeu o arquivamento e reabriu a investigação, que agora segue para decisão do tribunal.
Independente de qual plataforma “vença”, vale notar quem não está na mesa dessa negociação: o dono do restaurante. A guerra é pela SUA operação, pelo SEU cliente e por uma fatia da SUA venda.
A conta que o restaurante paga todo mês
- Comissão sobre cada pedido — um percentual do faturamento que sai antes de você pagar insumo, equipe e aluguel.
- Cliente que não é seu: os dados, o histórico e a relação ficam com a plataforma, não com o restaurante.
- Regras que mudam sem você opinar: taxa, repasse, ranking e visibilidade são decididos de fora pra dentro.
- Exclusividade que vira armadilha: desconto hoje em troca de dependência total amanhã.
Diversificar não é abandonar os apps — é parar de depender deles
Os aplicativos têm o seu papel: dão alcance e trazem cliente novo. O problema não é usá-los — é ser refém deles. A estratégia que os restaurantes mais saudáveis vêm adotando é a diversificação: manter os apps como vitrine e construir, em paralelo, um canal próprio de pedidos, onde a margem fica inteira e o cliente é seu de verdade.
- Link de pedidos próprio, divulgado no Instagram, WhatsApp e Google do restaurante — sem comissão por venda.
- Base de clientes sua: quem pediu uma vez recebe a promoção da semana direto de você.
- Margem protegida: o mesmo pedido que pagaria comissão vira lucro no canal próprio.
- Independência estratégica: se a regra do app mudar amanhã, seu negócio não muda junto.
O que fazer na prática, começando hoje
Não precisa esperar o CADE decidir a guerra dos gigantes pra proteger o seu negócio. Comece medindo quanto de comissão você pagou nos últimos 3 meses — esse número costuma assustar. Depois, monte seu canal próprio de pedidos e direcione pra ele o cliente que já é seu: quem segue seu Instagram, quem já comeu no salão, quem pede toda semana. O app fica pra conquistar quem ainda não te conhece; a recompra, que é onde está o lucro, acontece no canal onde ninguém morde a sua margem.
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