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🕐 Delivery

Guerra do delivery: enquanto os apps brigam, quem paga a conta é o restaurante

Por Equipe QrChef · · 5 min de leitura

Capa do artigo: Guerra do delivery: enquanto os apps brigam, quem paga a conta é o restaurante

Se você tem restaurante, os últimos meses do noticiário parecem novela: de um lado, plataformas de delivery disputando mercado a peso de contrato de exclusividade; do outro, o CADE — órgão que defende a concorrência — arquivando investigação, sofrendo críticas públicas e reabrindo a análise dias depois. No fim de junho, a Abrasel soltou nota oficial classificando as práticas de exclusividade como prejudiciais à concorrência e cobrando uma posição firme do órgão.

O que está acontecendo na guerra do delivery

O pano de fundo é simples: o delivery brasileiro sempre foi um mercado extremamente concentrado. Com a chegada de novos concorrentes de peso, começou uma corrida por restaurantes “exclusivos” — e é justamente essa prática que está na mesa do CADE. Em 25 de junho, a Superintendência-Geral arquivou a investigação sobre os contratos de exclusividade; a Abrasel reagiu em nota pública, apontando que a decisão ignorou estudos de mercado e as dificuldades históricas de concorrência no setor. No dia 1º de julho, o órgão suspendeu o arquivamento e reabriu a investigação, que agora segue para decisão do tribunal.

Independente de qual plataforma “vença”, vale notar quem não está na mesa dessa negociação: o dono do restaurante. A guerra é pela SUA operação, pelo SEU cliente e por uma fatia da SUA venda.

A conta que o restaurante paga todo mês

Chamar de comissão é quase minimizar o termo — o nome correto seria sociedade. O que a maioria dos donos de restaurante não para pra pensar é que muitos deles não ficam nem com os 20 a 25% do faturamento que o aplicativo leva. Nem no caixa do restaurante, muito menos na pessoa física. Então, pra mim, comissão nem é o termo certo: você tem um sócio — e dos caros.

Diversificar não é abandonar os apps — é parar de depender deles

Os aplicativos têm o seu papel: dão alcance e trazem cliente novo. O problema não é usá-los — é ser refém deles. A estratégia que os restaurantes mais saudáveis vêm adotando é a diversificação: manter os apps como vitrine e construir, em paralelo, um canal próprio de pedidos, onde a margem fica inteira e o cliente é seu de verdade.

O maior problema dessa dependência toda é a normalização do processo: a taxa foi subindo, ninguém foi falando, as barreiras de acesso à informação foram se fechando — e hoje o dono de restaurante não sabe mais viver sem esse sócio. A boa notícia é que, com gestão e estratégia, dá pra mudar essa dependência fácil. Porque ter aplicativo não é ruim; ruim é depender dele.

O que fazer na prática, começando hoje

Não precisa esperar o CADE decidir a guerra dos gigantes pra proteger o seu negócio. Comece medindo quanto de comissão você pagou nos últimos 3 meses — esse número costuma assustar. Depois, monte seu canal próprio de pedidos e direcione pra ele o cliente que já é seu: quem segue seu Instagram, quem já comeu no salão, quem pede toda semana. O app fica pra conquistar quem ainda não te conhece; a recompra, que é onde está o lucro, acontece no canal onde ninguém morde a sua margem.

QRChef

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