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🕐 Precificação

Você sabe quanto custa o seu prato? Como calcular o preço de verdade (e parar de vender no prejuízo)

Por Equipe QrChef · · 7 min de leitura

Capa do artigo: Você sabe quanto custa o seu prato? Como calcular o preço de verdade (e parar de vender no prejuízo)

Pergunta rápida e honesta: quanto custa, exatamente, o prato mais vendido do seu restaurante? Não o preço que você cobra — o custo. Quanto de carne, pão, queijo, molho, gás, embalagem e desperdício vai embora a cada unidade que sai da cozinha. Se você travou pra responder com número, você não está sozinho: a maioria dos donos de restaurante precifica no olhômetro, copiando o concorrente ou “sentindo” o valor. E é esse ponto cego que faz restaurante cheio fechar o mês no vermelho.

Por que precificar no olhômetro é tão perigoso

Quando você não sabe o custo real de cada prato, três coisas acontecem — todas ruins. Primeiro, você pode estar vendendo o seu carro-chefe no prejuízo: quanto mais vende, mais perde, e o movimento só disfarça o rombo. Segundo, você deixa dinheiro na mesa em pratos que poderiam custar mais sem espantar ninguém. Terceiro, quando o custo do insumo sobe (e ele sobe), você não percebe a margem derretendo até o caixa apertar. Preço no chute é uma aposta que você faz todo dia sem saber se está ganhando ou perdendo.

A base de tudo: a ficha técnica

Ficha técnica é a “receita de custo” do prato. É a lista de cada ingrediente com a quantidade exata usada e o custo daquela porção. Parece trabalhoso, mas é o documento que transforma achismo em número. Um exemplo simples, um hambúrguer:

Pronto: agora você tem o número que faltava. Esse R$ 10,90 é o CMV (Custo da Mercadoria Vendida) daquele hambúrguer — o mesmo CMV que aparece na DRE. Sem a ficha técnica, ele é um mistério; com ela, é a base de qualquer decisão de preço.

O que venho trazer pra vocês hoje é algo que, apesar de eu nunca ter discordado, também nunca dei o devido valor — estava preocupado com tantas outras funções dentro do restaurante. Mas quando comecei a buscar melhorias e ajustes, através de treinamentos e palestras, meu nível de consciência foi aumentando, até eu entender que sem saber exatamente o custo de cada prato não dá pra jogar o jogo do food.

Do custo ao preço: markup e margem, sem complicar

Saber o custo é metade do caminho. A outra metade é transformar custo em preço de venda cobrindo tudo o que a ficha técnica não mostra: impostos, taxa de cartão, aluguel, folha, energia — e, claro, o seu lucro. É aqui que entra o markup. De forma simples: você define quantas vezes o custo o preço precisa ser pra cobrir todas as despesas e ainda sobrar. Uma forma prática de pensar:

Não existe um markup mágico único — ele depende da sua estrutura de custos. Por isso copiar o preço do concorrente é tão arriscado: o aluguel dele, a folha dele e o volume dele não são os seus. O preço certo é o que fecha a SUA conta.

A partir disso, o jogo muda. É como ganhar uma habilidade nova — e isso não volta mais pro estágio anterior. Você não consegue mais colocar um preço no cardápio sem ter certeza do que está escrevendo ali. E isso faz toda a diferença no resultado do restaurante. Porque de que adianta vender muito de um prato que não te dá lucro? Me fala. É só trabalho, energia, material, desgaste, equipe, correria... pra no final empatar? E pior: e quando a conta nem fecha, e aí quanto mais você vende, maior o prejuízo? Então, irmão e irmã que está lendo isso: saber o CMV não é frescura de restaurante de gente grande. É o básico, o arroz com feijão que ninguém te ensina por aí. Quer dizer, às vezes até tentam — como eu estou fazendo aqui —, mas o trabalho que dá pra descobrir isso faz muita gente deixar pra lá, e joga por água abaixo todo o resto do esforço.

O problema da planilha: o custo muda, a sua conta não acompanha

Muitos donos até montam a ficha técnica uma vez, numa planilha, e respiram aliviados. O problema aparece três meses depois: o preço da carne subiu 15%, o do queijo 8%, a embalagem encareceu — e a planilha continua com os valores antigos. Aquele hambúrguer que custava R$ 10,90 agora custa R$ 12,40, e você segue cobrando como se nada tivesse mudado, com a margem escorrendo em silêncio. Ficha técnica não é um documento que você faz uma vez; é um número vivo, que precisa se atualizar quando o custo do insumo muda. Numa planilha, isso vira um trabalho manual que ninguém mantém. Num sistema que liga o estoque à ficha técnica, o custo do prato se recalcula sozinho quando você atualiza o preço de compra — e o preço de venda pode acompanhar antes de a margem virar prejuízo.

Por onde começar esta semana

Saber o custo do prato não é firula de restaurante grande — é o básico que separa quem lucra de quem só se movimenta. Você não precisa de um MBA pra isso, precisa de método e de um número que se mantenha atualizado. A partir do momento em que cada prato do seu cardápio tem um custo conhecido, você para de apostar e começa a decidir. E decidir com número, num setor de margem apertada, é o que mantém a porta aberta.

QRChef

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